Foi no início do século XX que nasceu este dia, no cenário das lutas das mulheres por melhores condições de vida e de trabalho, e pelo direito de voto, que mostrou o reconhecimento do papel da mulher na sociedade, como indivíduo responsável, útil, ativo e válido. Cem anos depois, as conquistas são efetivamente grandes, mas há ainda um longo caminho pela frente. Na verdade, as mulheres continuam a ser tratadas de forma indevida pela sociedade: discriminadas, exploradas e subjugadas. São sobretudo as mulheres que são vítimas de violência doméstica, que sofrem maus-tratos e que, como consequência máxima desse tratamento desumano, chegam a morrer. Só em 2011 foram assassinadas pelos companheiros 23 mulheres em Portugal.
Além disso, continuamos a ter uma cultura empresarial arcaica e machista, que não é digna do século XXI. Ora vamos a números: o "Jornal de Negócios" escreve hoje que Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) recebeu no ano passado 114 pedidos de parecer relativos ao despedimento de mulheres grávidas. Um estudo também de 2011 revelou que só 28% das empresas nacionais planeavam contratar mulheres com filhos. Já para não falar em mulheres a liderar empresas, cuja percentagem é muito reduzida em Portugal.
As boas notícias, essas vêm do outro lado do Atlântico. O Senado brasileiro aprovou ontem uma lei que define uma multa para empresas que paguem um valor inferior a mulheres que se encontrem nos mesmos cargos de homens. Este sim é um exemplo a seguir.
Em termos globais, custa-me vivermos em pleno século XXI e alguns insistirem na igualdade conquistada, quando na verdade me parece claro que ainda estamos a anos-luz desse tão desejado desfecho.Juro que não percebo por que é que as mulheres continuam a ser mal remuneradas e atingem, em muito menor número, os lugares de topo. Apesar de achar que devia ser um processo natural, talvez seja mesmo necessário estabelecer quotas para impulsionar a contratação de mulheres e aplicar multas às empresas que compactuam com estas injustiças.Pode parecer um cliché mas é verdade - o Dia das Mulheres é todos os dias. (Liliana Coelho)